Antes das guerras.
Antes dos reinos.
Antes das cidades.
Antes mesmo dos primeiros guerreiros caminharem sobre estas terras...
existia apenas o Mundo de Aorus.
Um mundo antigo, criado por forças que nenhum mortal seria capaz de compreender.
Durante milhares de anos, tudo permaneceu em perfeito equilíbrio.
A luz e a escuridão.
A criação e a destruição.
A vida e a morte.
Nada ameaçava esse equilíbrio.
Até que, no coração do próprio mundo, algo despertou.
Uma energia jamais vista começou a tomar forma.
E dela nasceram dois seres.
Dois irmãos.
Duas almas.
Dois poderes absolutos.
Nascidos da mesma essência.
Destinados a compartilhar o mesmo mundo.
Mas condenados a seguir caminhos diferentes.
O primeiro recebeu o nome de Aorus God.
Desde seu nascimento, Aorus God carregava dentro de si a força da criação.
Ele podia sentir o mundo.
Ouvir seus povos.
Sentir a vida que existia em cada canto de Aorus.
Sua missão era clara:
proteger o mundo e manter seu equilíbrio.
Mas então nasceu seu irmão.
Aorus Abyss.
Seu irmão gêmeo.
Seu igual.
A mesma origem.
A mesma força.
O mesmo poder.
Porém, havia algo diferente dentro dele.
Aorus Abyss não enxergava o Mundo de Aorus como seu irmão enxergava.
Onde Aorus God via vida...
ele via fraqueza.
Onde Aorus God via esperança...
ele via sofrimento.
Onde Aorus God via um mundo que poderia ser protegido...
Aorus Abyss via um mundo que deveria ser destruído.
Para ele, a própria existência era uma falha.
Os mortais eram imperfeitos.
Os reinos eram frágeis.
E enquanto aquele mundo continuasse existindo, guerras e sofrimento sempre retornariam.
Aorus God tentou fazê-lo enxergar diferente.
Durante eras, os dois caminharam juntos.
Aorus God ensinou seu irmão sobre os povos de Aorus.
Mostrou-lhe os reinos.
As cidades.
As florestas.
As montanhas.
Mostrou-lhe que, mesmo diante da destruição, os mortais sempre encontravam forças para reconstruir.
Mas Aorus Abyss não se convenceu.
Quanto mais observava o mundo...
mais profunda se tornava sua convicção.
Até que um dia, ele disse ao irmão:
“Por que proteger um mundo condenado a se destruir?”
Aorus God respondeu:
“Porque enquanto existir alguém disposto a lutar por ele, ainda existe esperança.”
Aorus Abyss permaneceu em silêncio.
E naquele momento...
os dois irmãos seguiram caminhos diferentes.
Aorus God permaneceu entre os povos, cumprindo seu propósito.
Aorus Abyss desapareceu.
Durante muito tempo, ninguém soube onde ele estava.
Alguns acreditaram que havia abandonado o mundo.
Outros acreditaram que havia sido destruído.
Mas Aorus God sabia.
Seu irmão estava esperando.
Esperando o momento certo.
Até que os primeiros sinais começaram a surgir.
Criaturas desapareceram.
Vilarejos foram encontrados completamente vazios.
Antigos templos começaram a ser tomados por uma energia desconhecida.
E em diferentes regiões do mundo...
fendas negras começaram a surgir.
Delas vinha uma energia que nenhum mortal conhecia.
Uma energia fria.
Escura.
Corruptora.
O Abyss havia despertado.
E então ele retornou.
Aorus Abyss estava de volta.
Mas não era mais o mesmo irmão que Aorus God havia conhecido.
Durante sua ausência, ele havia encontrado forças escondidas nas profundezas do mundo.
Havia aprendido a corromper criaturas.
Havia despertado monstros antigos.
E havia criado um exército disposto a seguir sua vontade.
Ele não retornou para conversar.
Não retornou para pedir perdão.
Retornou para cumprir sua promessa.
Destruir o Mundo de Aorus.
As primeiras regiões começaram a cair.
Criaturas foram consumidas pela energia do Abyss.
Antigos guerreiros foram corrompidos e passaram a servir seu mestre.
Os portais se espalharam.
E cada região tomada pelo Abyss tornava seu exército ainda mais poderoso.
Aorus God finalmente entendeu.
Não havia mais como evitar aquela guerra.
Seu irmão havia escolhido seu destino.
E ele escolheria o seu.
Proteger Aorus.
Os dois irmãos finalmente se encontraram.
Um diante do outro.
O mesmo rosto.
A mesma origem.
O mesmo poder.
Mas duas vontades completamente diferentes.
Aorus God tentou falar uma última vez.
“Irmão... ainda podemos impedir isso.”
Aorus Abyss apenas olhou para o mundo ao redor.
E respondeu:
“Não existe mais nada para salvar.”
Então o céu escureceu.
A terra começou a tremer.
E os dois irmãos avançaram.
O primeiro grande confronto entre Aorus God e Aorus Abyss havia começado.
O impacto de seus poderes atravessou o mundo.
Montanhas foram destruídas.
Florestas desapareceram.
Terras inteiras foram corrompidas.
O céu foi tomado por uma escuridão jamais vista.
Durante dias, os dois lutaram.
Nenhum conseguia derrotar o outro.
Porque Aorus God e Aorus Abyss eram iguais.
Dois lados da mesma força.
Dois filhos da mesma origem.
Até que Aorus God encontrou uma maneira de conter seu irmão.
Com o último golpe, conseguiu expulsar Aorus Abyss para as profundezas do mundo.
O silêncio tomou conta das terras.
A batalha havia terminado.
Mas Aorus God sabia que não havia vencido.
Ele apenas havia ganhado tempo.
Nas profundezas, Aorus Abyss ainda estava vivo.
Ferido.
Enfraquecido.
Mas esperando.
Antes de desaparecer completamente, sua voz ecoou pelas terras:
“Você pode proteger este mundo hoje. Pode proteger amanhã. Pode lutar por mil anos.”
Então uma última risada ecoou pelas profundezas.
“Mas eu sempre retornarei.”
Aorus God permaneceu diante das ruínas.
O mundo estava ferido.
Mas ainda estava vivo.
Ele olhou para os reinos destruídos.
Para aqueles que haviam perdido tudo.
E fez uma promessa.
“Enquanto eu existir, Aorus não cairá.”
Naquele dia nasceu uma guerra que atravessaria gerações.
Uma guerra que não seria decidida por um único combate.
Uma guerra que exigiria guerreiros.
Muitos guerreiros.
Porque Aorus Abyss havia desaparecido...
mas não havia sido derrotado.
Nas profundezas do Mundo de Aorus, a escuridão começou novamente a crescer.
E em algum lugar além das terras conhecidas...
Aorus Abyss abriu os olhos.
A guerra estava apenas começando.